terça-feira, 20 de dezembro de 2011

EPIFANIA PARTE I

- Eu parecerei sofrer... eu parecerei morrer
(Pequeno Príncipe)

         Estou em “crise”. Não sei ao certo o significado ou a abrangência da palavra no momento. O fato é que não encontro outra melhor para descrever o estado de confusão mental que me encontro. Assim como Anne Frank, escrevo para quem sabe sentir enfim um alívio, a dor desaparecer e a coragem voltar... Porém, escrever para mim é algo novo, uma aventura, da qual o que importa não é a partida ou a chegada e sim o percurso, é uma forma de exorcizar meus demônios e esclarecer meus pensamentos, meus ideais e minhas fantasias.
         Caro leitor, voltemos a minha “crise”, como me sinto fisicamente? Bem... Estou com náusea, dificuldade de respirar, tonta, taquicardia, dor de cabeça, músculos contraídos, o que me causa enorme fadiga, assim como Atlas parece que carrego o mundo nas costas.
         Como me sinto emocionalmente? Vai ser árduo tentar definir, delimitar, compreender, exprimir... Posso falar como me sinto a vontade ao escrever meu primeiro texto? Claro que posso, eu sou o autor e você um mero leitor. Aqui, não se tem regras, posso falar na primeira pessoa, posso abusar das figuras de linguagem e até da metalingüística machadiana (sei que é atrevimento), para quem sempre esteve presa a textos dissertativos esta sendo uma experiência fascinante, talvez por ter a certeza que não haverá leitor, só talvez, mera especulação.
         De fato, meu estado de espírito anda um pouco atormentado, sensações e temores que nunca antes havia vivenciado com tal intensidade. Será lucidez? Maturidade? Quem sabe. Hoje não tenho certeza de nada, de quase nada, estou respirando, isso é uma certeza. Embora me aborreça esse fato. Contudo, outras proposituras me ocorreram nessa manhã, vários porquês, alguns talvez e nenhuma conclusão. Foram perguntas inquietantes, que me fizeram esta aqui escrevendo, algumas mais corriqueiras, outras nem tanto. E até agora não lhe expliquei como anda meu humor. Antes, porém, para melhor me entender (se é que o objetivo da leitura é esse) terei de explicar que sou evasiva. Mecanismo de defesa. Aprende se artifícios e cria se muros para não se decepcionar mais uma vez. Mas, sempre acontece de novo, e de novo. É quando você se pergunta: vale a pena se viver? Não sei a resposta, agora só me ocorre perguntas, dolorosas perguntas, que me fazem pensar no sentido disso tudo.
         Já tentei ser cética, ateia marxista, behaviorista, tropicalista, narcisista só falta suicida. Não deu certo. Acho que a vida seria mais fácil se simplesmente fosse formosa, ingênua e néscia. A ignorância às vezes é uma dádiva, a consciência sufoca, a liberdade de pensamento angustia,torna-se um fardo, o pensar, o ponderar, a busca da “verdade real”. E assim começo a descrever como me sinto, pois essas mazelas me atormentam. Vivo assim, não sei desde quando, não sei ao certo o porquê, não sei se foi sempre assim, e suspeito que exista outro modo de se viver, só suspeito. Em meio as minhas próprias tristezas, magoas e sofrimentos creio que ainda haja "(...)Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal(...)".

3 comentários:

  1. Se tivesse que definir o texto, e também sua autora, em uma expressão certamente seria: "complexidade inimaginável". Turbilhão de sensações, emoções, sentimentos e pensamentos... . Caos "sombreado" pelas gotas e pelo cinza do tempo. Melancólico com uma pitada de esperança. Coragem para se lançar a possibilidade de críticas e opiniões desfavoráveis, de ver e ser vista... .
    Em suma, tanto o texto quanto tu são perfeitamente expressados através da imagem escolhida para emoldurar esse espaço. Aparentam escuridão e tristeza, mas escondem um sol quando "olhados" mais atentamente... .

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  2. Um dia desses eu estava em tal estado que não entendia absolutamente nada, mas recomecei a minha vida, fui tentar as antigas coisas e não as novas, como pensava que elas me trariam boas vibrações. Eu, hoje estou alegre e sinto falta de uma flor que já faz parte de um passado curto. Talvez recomeçar lá do fim não seja tão ruim... comigo deu certo, estou feliz por estar bem e estou feliz por ler o teu texto...
    Quando você sentir-se sozinha e triste, lembra-se que sempre haverá duas pessoas pensando em você... Deus e eu, desculpe a ousadia...
    Até mais flor manhosa.

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  3. Confesso que vivo em uma realidade não muito longe daqui...
    Busco por respostas em vão, tento entender meus sentimentos e emoções...
    Procuro no passado motivos que fizeram eu chegar a este estado emocional...
    Tenho medo de viver o presente, a ansiedade e o panico me limitam de viver intensamente...
    Procuro no fim do túnel uma luz que irá clarear meu caminho...
    Assim como você, tenho esperanças que um dia tudo vai voltar a ser como antes...
    Procure ser feliz ainda hoje, porque não sabes o dia de amanhã.
    Parabén pelo blog!!
    Beijos.

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